Resenha - Royal Blood Fest (Paudalho - PE, 26/10/13)

Muito mais que um evento, uma demonstração de garra da cultura alternativa!

Autor: Thiago Underblood [29/10/2013]

Ser underground. Uma escolha que num país que não valoriza sequer a própria cultura real, como MPB e ritmos regionais tradicionais, preferindo abarcar-se nas modinhas exportadas pela MTV Brazil (que, ainda bem, saiu da rede aberta de TV - e devia mesmo é falir de vez) ou patrocinadas pela Rede Globo - ou pior, em músicas com mensagens imbecis que nada acrescentam a ninguém, como tecnobrega e funk carioca - realmente ser underground nesse Brasil é algo pra guerreiro mesmo! Agora tente imaginar isso numa cidade um pouco distante da zona metropolitana de Pernambuco, e você imagina até que metal num lugar desses seria uma impossibilidade. Junte tudo isso a tentar organizar eventos unindo bandas de ideologias cristãs e seculares, e está aparentemente armado um cenário do totalmente impossível. Bem, esse show foi uma prova viva que não existem mesmo muitos impossíveis nesse mundo.

Royal Blood Fest foi na verdade, mais que um show, uma celebração pelo aniversário de uma das bandas anfitriãs desse evento em Paudalho, Royal Blood. 5 anos de lutas essa galera passou e nesse dia eles decidiram realmente mostrar os frutos dessa batalha. Sem dúvidas, a julgar pelo público presente, que mesmo no meio de um ENEM e com a chuva que caiu às vésperas do início do show, fez uma presença muito boa no evento.

A abertura do evento, que a princípio previa 6 bandas, mas com a saída da Discípulos de Goiana no início do mês e com a viagem inesperada do baterista da Salário do Pecado acabou reduzindo o set para 4 bandas, coube aos veteranos da recifense (e não de Camaragibe, como erroneamente divulgado no início) Angel's Fire, que apresentaram parte do setlist que virá no seu primeiro full álbum, a ser lançado possivelmente em dezembro na Underblood Fest VIII, incluindo as clássicas "Anjo de Luz", "Sacrifício", "Guardião" e uma versão retrabalhada e bem genial de "Novo Reino". Power Metal sinfônico de primeira, cada dia mais talentoso e genial.

A seguir, os aniversariantes da Royal Blood, trazendo mais um setlist de covers muito bons, como "The Fall" (King James), "Rain" (Narnia), "4 Leaf Clover" (Stryper), "Inner Sanctum" (Narnia) e "Would You Die for Me" (Bride), além de uma seção instrumental muito boa. Logo esse pessoal de Paudalho irá lançar sua primeira EP, o que deixa uma vontade imensa de experimentar o som autoral da banda, que certamente virá muito bom e profissional.

Passava um pouco das 22 horas quando o som oitentista da também de Paudalho Kannibale deu as caras e quebrou tudo o que tinha pela frente. Começando com a genial "Condenado" até chegar no clássico sem igual "Batalhas Cruzadas", foi uma volta ao passado, à raiz do metal brasileiro que fez história sem dúvidas. Heavy/Thrash pra ninguém botar defeito jamais.

Para dar o ponto final na festa e destroçar tudo que ainda restasse, chegou a vez da recifense Implement. Mais uma vez o trio honrou seus onze anos de estrada, mandando ver um death metal como eles sabem fazer muito bem, com destaque para as clássicas "Worm in my Brain", "Decaptated" e "Order to Kill". Simplesmente devastador!

Não tenho muito mais o que comentar sobre esse evento, que prova que a cena underground do Brasil e de Pernambuco, independente de ser da capital ou interior, de ideologia cristã ou não, qualquer que seja a vertente sonora de metal executada, é viva, forte e deve ser sólida, única, e que se danem essas divisões babacas propagadas por tantos tolos que vivem por falar bobagens por aí. HAIL TO ALL METAL!